terça-feira, 30 de outubro de 2018

-14/30


Só vou voltar para casa dia 12 de Novembro, mas já estou a preparar terreno. Tento ir-me desfazendo de coisas/interesses/projectos que não fazem sentido (e tento não me meter em outros 20 entretanto, porque o medo de estar a perder tempo e a ser tola me invade de hora em hora). Isso envolve escavar mesmo a fundo, pegar em cada aspecto da minha vida e colá-lo na parede, para depois analisar e desconstruir o mais que puder.

Desde há uns anos, há coisas que gosto de fazer mas que talvez só goste de fazer porque sou boa a fazê-las e porque me trazem aprovação dos outros, e eu gosto disso. Da aprovação, não de fazer essas coisas. No fundo, não gosto assim tanto delas. E isso faz a minha ansiedade entrar numa espiral descendente, sinto que tenho de fazer mais, que tenho de fazer assim e assado, que tenho de fazer perfeito senão ninguém vai gostar. E como não consigo fazer perfeito, não faço. Porque se não for perfeito, os outros não vão gostar. Ou seja, são coisas que não dependem só de mim, pelo contrário: dependem totalmente da opinião alheia, da opinião que quero que tenham de mim. E isso é desgastante. A frustração de não fazer, de não avançar, de estar literalmente congelada, dependente de vergonhas, medos, de um mundo exterior que nem se interessa assim tanto se tudo é perfeito ou não.

Vou tentar perceber-me melhor, pensar no que passei até aqui, o que sou e o que acho que sou. O objectivo dos objectivos é voltar mentalmente a uma altura em que não me preocupava com essas coisas para observar o que fazia, o que gostava. E, a partir dessas coisas, construir as bases para um novo caminho, mais verdadeiro, mais de mim.

Uma das coisas que me deixa muito triste é o modo como os meus hábitos de leitura foram ficando cada vez piores ao longo dos anos. Passei a minha infância perdida nas BDs do Tio Patinhas, com umas batatas e um sumo ao lado, muitas vezes dentro do carro estacionado no quintal, pois era o sítio onde estava mais silêncio. E, quando o meu tio me ofereceu o primeiro livro do Harry Potter, comecei a ler ainda mais, a ler porque gostava mesmo a sério. Passava horas mergulhada em livros, onde quer que estivesse. O quão fantástico é isso?

Por muito tempo, esperei que essa vontade voltasse por si e não fiz nada para a cultivar, como se, por magia, fosse possível reverter assim do nada todos os anos que passei a correr para as redes sociais sempre que me senti ansiosa ou aborrecida. Como se fosse só precisa uma picadela de mosquito na consciência e puff, de repente um livro é bem mais interessante que um scroll infinito no instagram. A verdade é que isso não vai acontecer; temos de nos esforçar, e esforçar à séria! Porque a nossa capacidade de concentração está reduzida a pó. Mas mesmo que falhemos e falhemos e voltemos a falhar outra vez, o importante é insistir e não desistir de tomar as rédeas do nosso tempo e decidir o que queremos fazer com ele, em vez de deixar os nossos impulsos decidirem por nós.

Para começar, vou fazer um desafio de Outono! Vou dar o meu melhor para ler estes quatro livros até dia 21 de Dezembro:

1. Mentes Poderosas, Alexandra Bracken
2. Frankenstein, Mary Shelley
3. O Diário Secreto de Laura Palmer, Jennyfer Lynch
4. A Luz, Stephen King
Tentei escolher, de entre os que havia aqui pela estante, uma lista de livros mais spooky, de mistério, coisas sobrenaturais, para entrar no sentimento do Outono e do Halloween e tornar esta "tarefa" (que no início vai ser penosa) mais divertida. Vamos ver onde isto vai dar.

3 comentários:

  1. those lat two pictures are BEAUTIFUL and capture the mood and colors and feelings of fall so well!

    ResponderEliminar
  2. Boa sorte nesse teu desafio. Este ano comecei os meus habitos de leitura bem mas tem sido de mal a pior desde então

    3200 Degrees ❤

    ResponderEliminar