sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

natura

Pela primeira vez em algum tempo, posso dizer que mal posso esperar pelo Verão. O verão está longe de ser a minha estação preferida mas as saudades de acordar, deslizar o fecho da tenda (consigo ouvir-lhe o som tão claramente, que delícia), sair e sentir as cascas das árvores nos pés... a ausência do barulho da cidade, os miúdos que brincam com paus como se fossem espadas dignas do melhor cavaleiro do reino, o vizinho simpático que nos empresta a lanterna para montarmos o estaminé depois de chegar ao camping fora de horas. Secar o cabelo no secador das mãos do balneário. O frio, a mala do carro a rebentar com mais coisas do que as que devia levar - e outras mil espalhadas pelas frestas dos bancos, entre as pernas, ao colo. transformam-se em água e ocupam todo o espaço que descobrem - as dores de costas que me lembram que já não vou para nova, que me lembram que o tempo de aproveitar é agora.

Pinheiros altos, terra dura, pó levantado. Anseio por tudo isto. O meu coração pede para me envolver no meio da Natureza. "Vai vai vai, porque não vais?", na minha cabeça. Nos meus ouvidos Ben Howard, Bon Iver, Maggie Rogers, The Lumineers. Tudo a tentar que o espírito e a mente tenham aquilo que o corpo não pode ter agora. 
Tem sido um Inverno tão longo.


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