sábado, 8 de julho de 2017

cosmos


Alguém diz com lentidão: 
“Lisboa, sabes…” 
Eu sei. É uma rapariga 
descalça e leve, 
um vento súbito e claro 
nos cabelos, 
algumas rugas finas 
a espreitar-lhe os olhos, 
a solidão aberta 
nos lábios e nos dedos, 
descendo degraus 
e degraus e degraus até ao rio. Eu sei. E tu, sabias? 

 Eugénio de Andrade

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