sexta-feira, 21 de abril de 2017

solsolsol




qué ganas tengo del verano. y qué bonito es el castellano

quinta-feira, 20 de abril de 2017

quando o meu cérebro não é o meu melhor amigo

ver doenças mentais romantizadas é uma coisa que me causa uma comichão tremenda. acabei de ver um filme onde uma rapariga "bipolar" é representada como alguém que "não está doente, é apenas sensível e honesta, um espírito livre, o que a torna mais normal que as pessoas ditas normais". hmmm. nope. maior cringe da vida.

não posso falar por quem sofre de transtorno bipolar, apenas da minha experiência como alguém que tem na sua vida o bonito combo de ansiedade crónica + transtorno de pânico. o certo é que não somos como os outros. estamos doentes sim e precisamos de ajuda. isso não tem que ser uma coisa que dê pena a quem o não está, não significa que temos de ser tratados com paninhos quentes. mas também não significa que somos criaturas especiais e aventureiras porque somos imprevisíveis, porque testamos limites. muitas vezes isso vem, falo por mim, de não saber distinguir o que é real e o que não é, por sentir que nada importa. e pela minha experiência isso tem mais de assustador do que bonito ou romântico. 

ter episódios de choro intenso em que todos os teus sentidos se fecham e tudo o que tens é uma angústia imensa que não sabes nem porquê. raiva incontrolável sem motivo face a pessoas que tu amas. horas passadas na internet à procura de mecanismos para lidar com ataques. o medo crescente face a certas situações ou até comidas que sabes que podem levar-te a ter um ataque de pânico. dias fechados em casa porque a motivação para fazer algo é nula. obcecar com certos assuntos e fazer filmes que te esgotam em todos os sentidos possíveis e imaginários. estar numa aula e sentir que vais morrer de repente enquanto tentas parecer normal porque sabes que é "só" o teu cérebro a ser um sacana. o teu namorado ver-te chorar e tremer compulsivamente enquanto pergunta o que pode fazer para te ajudar e tu nem conseguires abrir a boca para lhe responder porque está tudo tão confuso que nem sabes juntar palavras para formar uma frase. aperceberes-te que não és normal porque quando meras ressacas te causam episódios depressivos de três dias e contas isto à tua colega de quarto ela diz que percebe porque também às vezes se sente mal/culpada depois de beber (o que está longe daquilo que sentes). os bloqueios mentais e físicos constantes. não te conseguires mexer, não conseguires falar ou responder. chumbares a quatro cadeiras por pura estupidez, por dias em que chegas à porta da escola às oito da manhã e decides voltar para casa porque não consegues lidar com aquilo naquele momento. fecha a palma da tua mão e aperta com a maior força que tiveres - é nessa tensão que todos os meus músculos estão na maior parte do tempo. 

não é bonito. não te torna num artista - às vezes leva-te toda a criatividade. afasta-te das pessoas se não lhes souberes explicar o que estás a sentir, se não as ajudares a perceber que a culpa não é delas, e nem sequer tua. que isto vai e vem de um sítio que desconheces, ao qual tentas não ir parar muitas vezes. que é um problema real, palpável, físico, que químicos no teu cérebro não funcionam como deviam ou outras coisas que tais. não te torna mais especial ou menos especial. é apenas uma característica entre outras mil, não te define, não és a tua doença, és tu. especial já o eras antes e continuarás a sê-lo até que te apeteça. não é bonito, não é feio. é o que é, quem o tem, tem. e essa deveria ser a sua representação, não uma que nos faça desejar estar doentes.

mais representação, menos romantização.

maastrichtrichtricht

12 de Março.
Quarto do Lucas.

o céu está naquele limbo entre o dia e a noite, eu estou sentada num passeio à porta da segunda melhor pizzaria da Holanda. está cheia de pessoal novo que espera (ou melhor, desespera) com o cheiro da comida no forno. os donos trouxeram-no de Itália. não está calor nem frio, está perfeito. sinto-me feliz como há muito tempo não sentia. bicicletas passam rua acima e rua abaixo, os carros são tão poucos e a felicidade que isso me traz me surpreende. tudo me parece mais bonito e um carinho imenso inunda-me, um amor onde o que passou não importa mais. sinto que é Verão. um lugar de estacionamento onde três pessoas tentam parar e só a última consegue. a cidade é linda, sinto-me num filme a cada passo que dou, tudo é tão cinemático. as pessoas de bicicleta, os parques cheios de gente ao Sol. as senhoras que fumavam de uma shisha enorme sentadas num banco com um carrinho de bebé. a família com dois meninos com uma camisola de lã azul preta e branca que me faz lembrar a Estónia, com uma coluna a bombar techno (e os pequenos com óculos de sol pretos freneticamente dançando). lembro-me das três raparigas na noite em que chegámos, duas numa bicicleta e outra noutra, que riam e falavam alto pela noite fora numa ruela pequenina pequenina, debaixo de uma chuva ainda mais pequenina. campainhas "sorry guys" gargalhadas "damn you are faster walking than us" mais gargalhadas e cabelos a esvoaçar, o som de ser feliz. agora estamos no sótão, jogamos:
º cada pessoa escreve 4 palavras. 
º cada pessoa tira um papelinho.
1ª fase: a pessoa diz sinónimos
2ª fase: mímica
3ª fase: sons
4ª fase inventada: fazemos caras.

já comemos pizza e todos estão com cara de sono. o Lutz com a mão na cara e a Oli olhando para o tecto.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

a medio de abril


11.04
tudo tem estado estranho como de costume. na sala estão amigas da Monika. ontem foi noite de Red Emperor. "did you do something stupid yesterday?" "well... yes, of course."
tenho saudades de fazer algo estúpido. saudades sem vontade, não me tenho mexido. vejo tantos filmes que me estou a fartar de cinema - mentira, isso não acontece. mas estou a fartar-me de ver tantos filmes. vejo e faço, não dos bons, para inglês ver, mas aqueles que se repetem na tua cabeça cena após cena, sempre a mesma cena. toda a minha vida anda à roda de filmes. filmes e saudade de coisas que fazia e das que não fiz. gostava que Cortazár me escrevesse umas instruções de como seguir aqui.

12.04
apresentações são uma seca. senti borboletas na barriga como não sentia há algum tempo e agora tenho demasiada adrenalina a cavalgar-me nas veias para me concentrar no rapazinho que olha para o seu papel e nos diz isto e aquilo sobre a globalização nas Filipinas. voltei ao colégio, a distância faz bem para respirar, bicho precisa de espaço para bater as asas. é quase verão aí mas aqui nevou ontem, nevou e fez-me sorrir. a cada floco preso nas pestanas, pensava mais e mais no quanto vou ter saudades daqui, mais uma vez as saudades. não há cervejas por duas semanas, é a desvantagem de riscar a pele para sempre. ou quem sabe, uma não há-de fazer mal.