segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

sábado, 2 de dezembro de 2017

domingo, 22 de outubro de 2017

Círculo Polar Ártico


As saudades de Erasmus são uma coisa que, embora se perca muitas vezes no ritmo do dia-a-dia, acaba sempre por estar lá. E, às vezes, a mínima coisinha traz uma onda gigantesca de memórias que te deixam um gosto agridoce na boca; ficas triste pelas saudades da vida que tinhas, das tuas colegas de casa que só podem ter sido tiradas da melhor sitcom que podias imaginar, das viagens e de todas as peripécias, de todas mesmo, até da vez que te perdeste em Berlim às 3h sem bateria no telemóvel e tiveste que pedir num kebab place para te deixarem uma tomada ao mesmo tempo que amaldiçoavas o carregador por ser tão lento e panicavas por ter de ir acordar os teus hosts de couchsurfing tão tarde (thumbs up Helen e Dan, meus anjos). Ficas triste pelas saudades, mas ficas feliz, tão feliz, por tudo o que viveste, coisas com que nunca sonharias. 

Vasculhando pelas minhas fotos, dou de caras com uma das melhores viagens que fiz, mesmo com os mais (ou menos?) de -15ºC a gelarem-me todos os cantinhos. Em novembro do ano passado, quase há um ano atrás, pusemo-nos a caminho da Lapónia, numa viagem organizada pela ESN (Erasmus Student Network)  Estonia. E o que vimos lá, deixou-me de boca aberta. Nunca tinha sido um sonho meu ir ali, como comprovava ao ver o entusiasmo da Lo por cruzar a linha do Círculo Polar Ártico, com os olhos a brilhar como uma criança num parque de diversões, dizendo-nos várias curiosidades do sítio, acompanhada do seu guia de viagem ao estilo da Lonely Planet, como sempre 💛

Nunca foi um sonho meu, mas não podia deixar de me sentir num. É impossível ignorar o poder daquela paisagem, do céu rosa e azul bebé, que parece não ter fim quando encontra a neve branquinha no chão. Um poder enorme, tão maior que nós. Só há um ano atrás, no verdadeiro winter wonderland:




(fotos pela minha colega de casa, Loreto; my roomate's pics, Loreto)

sábado, 14 de outubro de 2017

vamo embora


dizem-me o quão calma sou. rio para mim e conto-te. ris comigo. sabemos os dois a tormenta que trago dentro de mim. a luta comigo mesma continua e deixa-me sem saber o que vale ou não a pena. tudo perdeu a luz - sei que soa dramático pra caramba, mas é verdade, as coisas já não têm sal. tenho pensado na última vez em que me ri, daquelas gargalhadas mesmo à séria, que costumava largar nas aulas de biologia a picar o Filipe e que quase me valiam uma falta. penso, penso, penso. e porra, não me consigo lembrar. fico triste de não me lembrar. não queiras não te lembrar da tua última gargalhada. estou a reler isto e a ver o quão deprimente soo (e sempre soei por aqui, receio). mas amanhã é outro dia, e há sempre uma música da Mallu para o começar.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

eterno amor de além


01:31. o tempo que fica imóvel. mais um álbum da Mallu, samba leve e alma pesada. quero cama e quero colo.

sábado, 2 de setembro de 2017

keep walking





(Marvão, Alentejo)


Tanta coisa aconteceu em apenas dois meses. Estou perdida neste momento. Não em pessoas, como de costume. Não em sítios ou situações. Estou só perdida. Ou talvez perdida não seja o melhor termo. Parada, presa. Sim. Não sei muita coisa.

Sei algumas. Sei que quero ficar. Sei que quero fazer. Sei que quero correr. Também quero ir, para fazer mais. Quero criar, com as minhas próprias mãos. Quero pisar, ter os pés no chão, na terra, na lama, o que for. Continuar a andar, talvez cá dentro. Rir mais, sorrir. Preocupar-me menos. Ser.

Mais "estou farta de estar em casa, bora a qualquer lado", mais acabar a ver o Sol descer numa calmaria que me faz desejar viver no topo de uma serra qualquer para sempre. 



segunda-feira, 31 de julho de 2017

exactamente um ano depois




 tenho saudades de tanto verde, de tanta leveza, de tanto frio, de tanta paz.
 missing my peaceful home of the heart.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

sábado, 15 de julho de 2017

cosmos pt2


03:52. festival que chega ao fim, eu que não consigo dormir. o vício. que continue a poder fazê-lo por tempos e tempos e tempos.

sábado, 8 de julho de 2017

cosmos


Alguém diz com lentidão: 
“Lisboa, sabes…” 
Eu sei. É uma rapariga 
descalça e leve, 
um vento súbito e claro 
nos cabelos, 
algumas rugas finas 
a espreitar-lhe os olhos, 
a solidão aberta 
nos lábios e nos dedos, 
descendo degraus 
e degraus e degraus até ao rio. Eu sei. E tu, sabias? 

 Eugénio de Andrade

quinta-feira, 6 de julho de 2017

segunda-feira, 3 de julho de 2017

catalina


o verão sem fim, o verão que já vai a meio e ainda nem começou, a vida confusa, confusa. o verão sem fim que ainda não chegou. encontrar a casa em ti, ti que não és tu mas que sou eu, encontrar a casa em mim. um deserto infinito como o verão. quente, as palmas dos pés a doer, sem saber se é gelo ou fogo, se queima ou queima. a liberdade, a liberdade que não sou capaz, que não sou eu, a liberdade que é tudo o que quero, o oásis tão bom e tão desconfortável ao mesmo tempo. o risco sem cálculos. e a paz, também. odeio a merda da matemática. vento nos cabelos, areia no ar, pele descoberta. um pôr-do-sol, porque o pôr-do-sol é a cor mais bonita de habitar. infinitos. ser infinito. ser, só ser. 

nas palavras da Jemima

Those transitional, soul-level-change moments we experience are never dramatic. Epiphanies don't really happen. They're a myth. Real transformation is boring and uncomfortable, like working out on your birthday when you have no plans. Change slips in unnoticed while you're busy trudging through something pretty unremarkable.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

terça-feira, 13 de junho de 2017

segunda-feira, 12 de junho de 2017

/\



este verão

cinema
muito cinema 
1 filme por dia
editar editar editar
deixar derivados de leite
redes sociais - menos (muito menos)

uma pirâmide de objectivos, para começar. 
sempre gostei do egipto.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

domingo, 28 de maio de 2017

últimos dias na comuna





 



à casa que foi mais uma de nós
à casa que é um lar para o coração




quarta-feira, 24 de maio de 2017

terça-feira, 23 de maio de 2017

ferramentas para não colapsar com os blues de terça-feira

comer bem
beber água
incenso
quentinho do ventilador
ouvir sufjan stevens
não ser social e tentar não me sentir mal por isso

domingo, 21 de maio de 2017

au-rora



aqui aprendi que posso ser o que nunca pensei ser.
aqui aprendi que afinal é fácil ser uma pessoa de nasceres do sol.

especialmente quando o Sol começa a nascer às 03:29

segunda-feira, 8 de maio de 2017

aos nove de maio


estou da cor do algodão doce e os meus vizinhos de baixo estão a dar uma festa com músicas bonitas

sábado, 6 de maio de 2017

aos seis de maio

- não sei como está a minha vida
- sei onde está
- sei onde quero que vá
- não sei o que fazer para chegar lá


hora do segundo acordar: 16:24
soundtrack: amy winehouse
mood: enevoado
confusão: geral

sexta-feira, 21 de abril de 2017

solsolsol




qué ganas tengo del verano. y qué bonito es el castellano

quinta-feira, 20 de abril de 2017

quando o meu cérebro não é o meu melhor amigo

ver doenças mentais romantizadas é uma coisa que me causa uma comichão tremenda. acabei de ver um filme onde uma rapariga "bipolar" é representada como alguém que "não está doente, é apenas sensível e honesta, um espírito livre, o que a torna mais normal que as pessoas ditas normais". hmmm. nope. maior cringe da vida.

não posso falar por quem sofre de transtorno bipolar, apenas da minha experiência como alguém que tem na sua vida o bonito combo de ansiedade crónica + transtorno de pânico. o certo é que não somos como os outros. estamos doentes sim e precisamos de ajuda. isso não tem que ser uma coisa que dê pena a quem o não está, não significa que temos de ser tratados com paninhos quentes. mas também não significa que somos criaturas especiais e aventureiras porque somos imprevisíveis, porque testamos limites. muitas vezes isso vem, falo por mim, de não saber distinguir o que é real e o que não é, por sentir que nada importa. e pela minha experiência isso tem mais de assustador do que bonito ou romântico. 

ter episódios de choro intenso em que todos os teus sentidos se fecham e tudo o que tens é uma angústia imensa que não sabes nem porquê. raiva incontrolável sem motivo face a pessoas que tu amas. horas passadas na internet à procura de mecanismos para lidar com ataques. o medo crescente face a certas situações ou até comidas que sabes que podem levar-te a ter um ataque de pânico. dias fechados em casa porque a motivação para fazer algo é nula. obcecar com certos assuntos e fazer filmes que te esgotam em todos os sentidos possíveis e imaginários. estar numa aula e sentir que vais morrer de repente enquanto tentas parecer normal porque sabes que é "só" o teu cérebro a ser um sacana. o teu namorado ver-te chorar e tremer compulsivamente enquanto pergunta o que pode fazer para te ajudar e tu nem conseguires abrir a boca para lhe responder porque está tudo tão confuso que nem sabes juntar palavras para formar uma frase. aperceberes-te que não és normal porque quando meras ressacas te causam episódios depressivos de três dias e contas isto à tua colega de quarto ela diz que percebe porque também às vezes se sente mal/culpada depois de beber (o que está longe daquilo que sentes). os bloqueios mentais e físicos constantes. não te conseguires mexer, não conseguires falar ou responder. chumbares a quatro cadeiras por pura estupidez, por dias em que chegas à porta da escola às oito da manhã e decides voltar para casa porque não consegues lidar com aquilo naquele momento. fecha a palma da tua mão e aperta com a maior força que tiveres - é nessa tensão que todos os meus músculos estão na maior parte do tempo. 

não é bonito. não te torna num artista - às vezes leva-te toda a criatividade. afasta-te das pessoas se não lhes souberes explicar o que estás a sentir, se não as ajudares a perceber que a culpa não é delas, e nem sequer tua. que isto vai e vem de um sítio que desconheces, ao qual tentas não ir parar muitas vezes. que é um problema real, palpável, físico, que químicos no teu cérebro não funcionam como deviam ou outras coisas que tais. não te torna mais especial ou menos especial. é apenas uma característica entre outras mil, não te define, não és a tua doença, és tu. especial já o eras antes e continuarás a sê-lo até que te apeteça. não é bonito, não é feio. é o que é, quem o tem, tem. e essa deveria ser a sua representação, não uma que nos faça desejar estar doentes.

mais representação, menos romantização.

maastrichtrichtricht

12 de Março.
Quarto do Lucas.

o céu está naquele limbo entre o dia e a noite, eu estou sentada num passeio à porta da segunda melhor pizzaria da Holanda. está cheia de pessoal novo que espera (ou melhor, desespera) com o cheiro da comida no forno. os donos trouxeram-no de Itália. não está calor nem frio, está perfeito. sinto-me feliz como há muito tempo não sentia. bicicletas passam rua acima e rua abaixo, os carros são tão poucos e a felicidade que isso me traz me surpreende. tudo me parece mais bonito e um carinho imenso inunda-me, um amor onde o que passou não importa mais. sinto que é Verão. um lugar de estacionamento onde três pessoas tentam parar e só a última consegue. a cidade é linda, sinto-me num filme a cada passo que dou, tudo é tão cinemático. as pessoas de bicicleta, os parques cheios de gente ao Sol. as senhoras que fumavam de uma shisha enorme sentadas num banco com um carrinho de bebé. a família com dois meninos com uma camisola de lã azul preta e branca que me faz lembrar a Estónia, com uma coluna a bombar techno (e os pequenos com óculos de sol pretos freneticamente dançando). lembro-me das três raparigas na noite em que chegámos, duas numa bicicleta e outra noutra, que riam e falavam alto pela noite fora numa ruela pequenina pequenina, debaixo de uma chuva ainda mais pequenina. campainhas "sorry guys" gargalhadas "damn you are faster walking than us" mais gargalhadas e cabelos a esvoaçar, o som de ser feliz. agora estamos no sótão, jogamos:
º cada pessoa escreve 4 palavras. 
º cada pessoa tira um papelinho.
1ª fase: a pessoa diz sinónimos
2ª fase: mímica
3ª fase: sons
4ª fase inventada: fazemos caras.

já comemos pizza e todos estão com cara de sono. o Lutz com a mão na cara e a Oli olhando para o tecto.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

a medio de abril


11.04
tudo tem estado estranho como de costume. na sala estão amigas da Monika. ontem foi noite de Red Emperor. "did you do something stupid yesterday?" "well... yes, of course."
tenho saudades de fazer algo estúpido. saudades sem vontade, não me tenho mexido. vejo tantos filmes que me estou a fartar de cinema - mentira, isso não acontece. mas estou a fartar-me de ver tantos filmes. vejo e faço, não dos bons, para inglês ver, mas aqueles que se repetem na tua cabeça cena após cena, sempre a mesma cena. toda a minha vida anda à roda de filmes. filmes e saudade de coisas que fazia e das que não fiz. gostava que Cortazár me escrevesse umas instruções de como seguir aqui.

12.04
apresentações são uma seca. senti borboletas na barriga como não sentia há algum tempo e agora tenho demasiada adrenalina a cavalgar-me nas veias para me concentrar no rapazinho que olha para o seu papel e nos diz isto e aquilo sobre a globalização nas Filipinas. voltei ao colégio, a distância faz bem para respirar, bicho precisa de espaço para bater as asas. é quase verão aí mas aqui nevou ontem, nevou e fez-me sorrir. a cada floco preso nas pestanas, pensava mais e mais no quanto vou ter saudades daqui, mais uma vez as saudades. não há cervejas por duas semanas, é a desvantagem de riscar a pele para sempre. ou quem sabe, uma não há-de fazer mal.

domingo, 26 de março de 2017

a i r




it has been hard. confusing. tudo se vai fazendo a custo, ou nem tudo. comi a horas, meti o rolo na máquina, escrevinhei algumas coisas. tanta merda para fazer, penso e repenso. mas, menos mal, já se fez algo. o sol vai dando ares da sua graça, no chão ainda tudo está morto. primavera, não demores em chegar. ando e ando e ando. berlim não é assim tão fixe.