segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Bee Happy: um Dezembro high as hope


2018, o último dia. estou a 4162,3 km de casa, são 13:35 aí, 15:35 aqui e já se fez noite. O blog da Lai tem sido uma lufada de ar fresco e luz cada vez que ando por aqui e ela (que é um amor, diga-se de passagem) tem um projecto bonito chamado Bee Happy, que consiste basicamente num resumo fotográfico mês a mês; como o projecto está aberto a quem quiser participar, aqui estou eu. Obrigada, Lai ❤ Podem ver os posts dela para o Bee Happy aqui.

Dezembro. Dezembro foi tempo de regressos, de calma, de ganhar forças, de rotinas, de perceber coisas, de enfrentar novos medos (de repente apareceu-me um medo horrível de andar de avião), de crescer, de ver melhor o caminho. 2018 foi, no mínimo, um ano estranho. Mas como já li hoje algures, foi o que foi, é o que é. Estou grata pelas coisas boas que aconteceram e tento encarar as más com aceitação e como um empurrão necessário para mudar algumas outras coisas. 

Estou agora a treinar para me permitir coisas que me têm sido difíceis nos últimos anos, como a deixar de carregar o mundo aos meus ombros e começar a ficar entusiasmada com as coisas sem pensar que vão correr mal. Sempre gostei mais de números redondos mas tenho um bom pressentimento em relação a 2019; estou a juntar forças para conseguir fazer dele algo que me entusiasme.

Feliz 2019, que vos traga coragem e paz!


quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Five, four, three, two, one

fear of the abyss

sometimes we come across some things but we don't really pay attention to them.

but then, 
all it takes is a little bit of kindness 
and familiarity, 
a hand reaching out for ours 
across an immense blue scary ocean.
to make us 
open our eyes to what surrounds us, 
to make us 
drop our lazy ways, 
pulling us joyfully into the cold water.
we gasp for air when we come to the surface 
and feel so grateful 
for being human 
for being here 
and now.

I almost believed in fate again.

-

I believed I was being pushed into the abyss to die; but maybe it is not that. Maybe it is to realize I can fly.

domingo, 2 de dezembro de 2018

início de dezembro

how did I get here
It's all so quick and I feel sick

O mito da vida adulta. De repente já nos 26. Esta fase da vida dava para vinte ou trinta títulos de livro ou filme e centenas de dissertações sobre a maneira certa de a viver ou sobre para onde se vai depois de chegarmos aqui. Tinha-me dado um mês para pôr a minha vida em ordem. Um mês que já quase passou e em que não consegui decidir o que tinha a decidir. Mas, ainda que sem decisões, nem tudo está perdido. Já consigo:
  • comer a horas e frequentemente;
  • ficar cada vez menos acordada até às 4am
  • sair da cama sem ser a arrastar-me;
  • tomar mais do que um banho por semana. 
É que, sabem, cuidar de mim nos últimos meses não estava a ser fácil: eu preciso mesmo de ter uma rotina ou então descarrila tudo. Não estou a exagerar quando meto quatro alarmes para comer a certas horas do dia e digo que tenho mesmo de os seguir. A rotina é uma das únicas coisas que me dá uma sensação de controlo, e quanto mais forte é essa sensação, mais a ansiedade se mantém a uma distância de segurança.

O facto de estar num sítio onde me sentia a sufocar e ter uma rotina que não era a melhor para mim, aumentaram ainda mais a minha ansiedade, que aumentou a minha necessidade de me afundar em distrações (hey scroll de horas no instagram, estou-te a piscar o olho), que aumentou o meu nevoeiro mental, que aumentou a minha incapacidade de tomar conta de mim própria, que aumentou a falta de auto-estima, que aumentou a inércia, que aumentou o cansaço, que aumentou a minha ansiedade e volta ao início e repete. Só de estar a pensar em tudo isso, tremo.

Por isso, apesar de não ter tomado ainda as decisões life-changing que sei que tenho de tomar muito rapidamente e estar muuuuuuuito longe de poder vestir a camisola de Super-Adulta, já me dou uma palmadinha nas costas e me digo um "you go girl". Por ter quebrado um ciclo horrível - por agora, nunca estou livre de lá ir cair de novo - e ser capaz de erguer do chão uma rotina que me permita criar bases para poder sonhar com um pouquinho mais. Com passinhos de passarinho, mesmo, e bem devagarinho, uma coisa de cada vez. Sem me culpar por não fazer isto ou aquilo, sem me culpar por hoje só conseguir sair da cama e tomar conta de mim e, quem sabe, até meter um yoga pelo meio. Porque sei que isso já é uma vitória. Porque sei que ante-ontem já consegui passar todo um dia fora de casa e a tratar de afazeres. E tenho fé de que só vai ser melhor com cada semana que passar. 

Estamos como estamos onde estamos - é um dos meus mantras. 
E é o suficiente, por agora.


Numa nota mais leve, estou vidrada nas músicas da Dodie. São a coisa mais honesta, divertida, triste e adorável deste mundo ahhhhhh estou tão feliz por as ter descoberto. Me sinto tão grata por estes presentes que a vida me dá. Obrigada, obrigada, obrigada. Quando se sentirem stressados, simplesmente oiçam isto.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

meio de Novembro


nas últimas duas semanas

  • fomos a Aveiro, a Braga e ao Gerês
  • brigámos
  • vimos coisas bonitas
  • fizemos as pazes (e, provavelmente, brigámos mais umas quinhentas vezes depois disso)
  • fiz 26 anos
  • tu voltaste a casa
  • comecei a (querer) ler mais
  • fiz um plano para melhorar a minha vida
  • fui ver o filme dos monstros fantásticos, levei o meu cachecol dos hufflepuff e senti-me despreocupadamente alegre como há muito não sentia
  • eu voltei a casa

sábado, 10 de novembro de 2018

terça-feira, 30 de outubro de 2018

-14/30


Só vou voltar para casa dia 12 de Novembro, mas já estou a preparar terreno. Tento ir-me desfazendo de coisas/interesses/projectos que não fazem sentido (e tento não me meter em outros 20 entretanto, porque o medo de estar a perder tempo e a ser tola me invade de hora em hora). Isso envolve escavar mesmo a fundo, pegar em cada aspecto da minha vida e colá-lo na parede, para depois analisar e desconstruir o mais que puder.

Desde há uns anos, há coisas que gosto de fazer mas que talvez só goste de fazer porque sou boa a fazê-las e porque me trazem aprovação dos outros, e eu gosto disso. Da aprovação, não de fazer essas coisas. No fundo, não gosto assim tanto delas. E isso faz a minha ansiedade entrar numa espiral descendente, sinto que tenho de fazer mais, que tenho de fazer assim e assado, que tenho de fazer perfeito senão ninguém vai gostar. E como não consigo fazer perfeito, não faço. Porque se não for perfeito, os outros não vão gostar. Ou seja, são coisas que não dependem só de mim, pelo contrário: dependem totalmente da opinião alheia, da opinião que quero que tenham de mim. E isso é desgastante. A frustração de não fazer, de não avançar, de estar literalmente congelada, dependente de vergonhas, medos, de um mundo exterior que nem se interessa assim tanto se tudo é perfeito ou não.

Vou tentar perceber-me melhor, pensar no que passei até aqui, o que sou e o que acho que sou. O objectivo dos objectivos é voltar mentalmente a uma altura em que não me preocupava com essas coisas para observar o que fazia, o que gostava. E, a partir dessas coisas, construir as bases para um novo caminho, mais verdadeiro, mais de mim.

Uma das coisas que me deixa muito triste é o modo como os meus hábitos de leitura foram ficando cada vez piores ao longo dos anos. Passei a minha infância perdida nas BDs do Tio Patinhas, com umas batatas e um sumo ao lado, muitas vezes dentro do carro estacionado no quintal, pois era o sítio onde estava mais silêncio. E, quando o meu tio me ofereceu o primeiro livro do Harry Potter, comecei a ler ainda mais, a ler porque gostava mesmo a sério. Passava horas mergulhada em livros, onde quer que estivesse. O quão fantástico é isso?

Por muito tempo, esperei que essa vontade voltasse por si e não fiz nada para a cultivar, como se, por magia, fosse possível reverter assim do nada todos os anos que passei a correr para as redes sociais sempre que me senti ansiosa ou aborrecida. Como se fosse só precisa uma picadela de mosquito na consciência e puff, de repente um livro é bem mais interessante que um scroll infinito no instagram. A verdade é que isso não vai acontecer; temos de nos esforçar, e esforçar à séria! Porque a nossa capacidade de concentração está reduzida a pó. Mas mesmo que falhemos e falhemos e voltemos a falhar outra vez, o importante é insistir e não desistir de tomar as rédeas do nosso tempo e decidir o que queremos fazer com ele, em vez de deixar os nossos impulsos decidirem por nós.

Para começar, vou fazer um desafio de Outono! Vou dar o meu melhor para ler estes quatro livros até dia 21 de Dezembro:

1. Mentes Poderosas, Alexandra Bracken
2. Frankenstein, Mary Shelley
3. O Diário Secreto de Laura Palmer, Jennyfer Lynch
4. A Luz, Stephen King
Tentei escolher, de entre os que havia aqui pela estante, uma lista de livros mais spooky, de mistério, coisas sobrenaturais, para entrar no sentimento do Outono e do Halloween e tornar esta "tarefa" (que no início vai ser penosa) mais divertida. Vamos ver onde isto vai dar.